Vilma Nascimento

Vilma Victorino do Nascimento ou, simplesmente, Vilma Nascimento, é carioca de Madureira, a joia suburbana vizinha de Oswaldo Cruz, onde se originou a Portela. Nasceu em 01 de junho de 1938 na Rua Capitão Macieira e foi criada na Rua Dona Clara, para onde foi aos dois anos de idade. Filha de dona Martha Lacerda Victorio e do Sr. Filoginio da Silva Victorio, Vilma teve uma infância feliz e cedo teve os primeiros contatos com o carnaval. Sua mãe a levava aos coretos de Madureira, aos bailes infantis e a incentivava a participar da folia. Era ainda uma menina quando entrou para a União de Vaz Lobo, e muito jovem assumiu o pavilhão da escola.

Um episódio marcante de sua vida foi o conhecido encontro com o igualmente lendário Natal (Natalino José do Nascimento, 31/07/1905 – 05/04/1975). Natal foi informado que alguém roubara a bandeira da Portela e a havia alugado para Carlos Machado, conhecido como o Rei da Noite e responsável pela boate Night and day, na Cinelândia, onde Vila trabalhava como dançarina. Ao ver a jovem Vilma dançando com a bandeira, Natal se encantou e a “intimou” a dançar para a Portela, o que foi prontamente recusado por Vilma, fiel à sua União de Vaz Lobo. Mais tarde, ao ser levada por seu futuro marido, Mazinho (Osmar José do Nascimento, 03/02/1933 – 21/08/2005), para conhecer sua família, quis o destino que seu futuro sogro fosse o mesmo Natal que a conhecera no episódio da boate. Mesmo assim Vilma seguiu firma na decisão de dançar pela União de Vaz Lobo.

Foi somente em 1957 que finalmente Vilma Nascimento se tornaria a Vilma da Portela, tornando-se a maior porta-bandeira de todos os tempos, aclamada pelo público e pela crítica. Foi uma estreia retumbante, pois em 1957 a Portela não só se tornaria a campeã daquele ano, mas daria início a uma série de quatro campeonatos consecutivos, até 1960. De 1957 a 1961, Vilma dançou com o esquecido Mestre-Sala Ary da Liteira (Ary Cavalcante Cruz, 02/09/1933 – 21/06/1968). Em 1962, iniciou sua parceria mais famosa e idolatrada, com Benício da Rocha (15/07/1933 – 06/12/2017). Por sua trajetória ímpar, foi chamada pelo jornalista Valdinar Ranulfo, de “Cisne da Passarela”. Vilma ainda faria par com Julinho, Mestre-Sala da Tradição.

A vitoriosa carreira de Vilma inclui vários prêmios. Foi 5 vezes campeã do Estandarte de Ouro – três vezes pela Portela, em 1977, 1978 e 1979 (Porta-Bandeira); uma vez como Destaque Feminino, pela União Da Ilha do Governador (1982); e como Porta-Bandeira pela Tradição (1989). Foi eleita “Cidadã Samba”, em 2016. Recebeu em 2018 da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) uma “Moção de Aplausos, Louvor e Congratulações” (Moção 1422/2018).

Vilma foi esposa de Osmar José do Nascimento, o Mazinho. É mãe de Deise do Nascimento Lubão, Dilma do Nascimento Calixto e da Porta-Bandeira campeã pela Portela (2017), Danielle do Nascimento. É avó de Cleyber, Cleyton, Bruno, Camyla, Bernard e Daniel. Bisavó de Cleysson, Clarice, Vitória, Lorenzo, Valentina e Pérola. Uma família dedicada ao samba.

Vilma imortalizou seu nome e sua arte na história do carnaval e da cultura brasileira. Inovou não somente a arte da dança das Porta-Bandeiras, mas foi também pioneira em diversas frentes. Deu dignidade ao ofício da Porta-Bandeira, hoje o posto feminino mais importante no desfile de uma Escola de Samba. Vilma abriu inúmeras portas para que hoje outras jovens possam brilhar na condução do pavilhão de suas agremiações.

Vilma Nascimento chega a mais de 8 décadas de existência merecidamente reconhecida como a maior Porta-Bandeira de todos os tempos. A música popular imortalizou a figura de Vilma, como testemunham os versos de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, em “O Conde”:

Como é que eu posso por ela trocar
A emoção de ver Vilma a dançar
Com o seu estandarte na mão
E ouvir todo o povo
Meu povo a aplaudir
Minha escola a evoluir
Minha ala comigo passar

Por tudo isso e muito mais, Vilma integra nossa galeria de majestosas. Que sua presença continue sendo inspiração para a Portela e para os amantes do carnaval carioca.
Brava!

Fontes:

GOUVEIA, Evaldo; AMORIM, Jair. O Conde. Disponível em: https://www.letras.mus.br/evaldo-gouveia-jair-amorim/607285/.
MOTTA, Aydano André. Onze mulheres incríveis do carnaval carioca: histórias de porta-bandeiras. Rio de Janeiro: Verso Brasil, 2013 (Coleção Cadernos de Samba).
NASCIMENTO, Vilma. Entrevista. Disponível em: www.portelamor.com.br.
NETO, José de la Peña; MACEDO, Gisele; NOGUEIRA, Nilcemar (Eds.). A força feminina do samba. Disponível em: https://docplayer.com.br/3662707-A-forca-feminina-do-samba.html.
VILMA NASCIMENTO É ELEITA CIDADÃ SAMBA 2016, COM 27% DOS VOTOS. Disponível em: https://extra.globo.com/noticias/carnaval/carnaval-historico/vilma-nascimento-eleita-cidada-samba-extra-2016-com-27-dos-votos-18578257.html

 

 

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