Velha da Portela
(Eusébio Nascimento)

Eusébio Nascimento é o nome de batismo. Mas ele não gostava do nome. Ficou conhecido pelo nome artístico, Velha da Portela ou, simplesmente, Velha. Conta-se que era chamado de Velho por seu irmão menor e, mais tarde, seus colegas passaram a chama-lo de Velha, apelido que ele incorporou por toda a vida artística.
Velha nasceu em 22 de outubro de 1929 e foi criado no bairro leopoldinense de Ramos. Órfão aos três anos de idade, parou de estudar aos treze para trabalhar. Serviu no Exército e em 1952 foi trabalhar no Ministério da Aeronáutica, para sustentar a família.

Velha teve uma vida intensamente ligada à região onde nasceu. Criou os blocos Embalo de Ramos, Unidos do Padroeiro e Vinte de Ramos. Além disso, integrou a bateria do G. R. E. S. Imperatriz Leopoldinense, tendo sido diretor e compositor do Bloco Cacique de Ramos, findando seu mandato em 1969. Foi neste ano que Velha recebeu o título de Vice-Cidadão Samba. No ano seguinte, em 1970, registra-se a ida de Velha para a Portela. Antes de tornar-se um portelense, começaria sua carreira de compositor em 1966, estreando com a canção “Senhor samba”. Em 1967, em parceria com Maurílio da Penha A. Silva, teve seu “Samba do carpinteiro” gravado pelo Quarteto em Cy, na gravadora Phillips.

Velha foi casado com Edelzuíta da Conceição Nascimento, a Dona Delza, que participou da primeira Comissão de Frente formada por mulheres, em 1961. Foi também irmão de Nilton de Souza, o Niltinho Tristeza, compositor da Imperatriz Leopoldinense e um dos autores do samba campeão de 1989, “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!”.

Já como integrante da Portela, Velha participou de conjuntos de sambistas, como “Os Cinco Só” (1968, ao lado de Zuzuca do Salgueiro, Jair do Cavaquinho e Wilson Moreira). Em 1971, formou, com os mesmos integrantes de “Os Cinco Só”, “A Turma do Ganzá”. Neste mesmo ano de 1969 o grupo “Os Originais do Samba” gravou "Bacobufo no caterefofo", parceria de Velha com Bidi. Em 1972, com Casquinha da Portela, Candeia e Joãozinho da Pecadora participou do “Partido em 5, volume 1”, em que teve gravadas canções suas, como “Festa de rato não sobra queijo” e “Defeito de mulher”, esta, em nova parceria com Maurílio da Penha A. Silva. Em 1975, veio o “Partido em 5, volume 2”. Nesse, teve gravados os sambas “Gato escaldado tem medo de água fria” (parceria com Zuzuca) e “Leão de coleira”. O volume 3 do “Partido em 5” trazia “Deus dá a farinha e o diabo rasga o saco” (em parceria com Jair do Cavaquinho) e “Galinha caolha procura poleiro mais cedo”. O ano era 1977.



Na Portela, Velha chegou ao topo como Presidente da Ala de Compositores, em 1971, tendo sido reeleito três vezes para o cargo. Em 1973, foi um dos compositores do samba campeão (e polêmico) “O mundo melhor de Pixinguinha”, parceria com Evaldo Gouveia e Jair Amorim.
Velha receberia na década de 1980 uma grande honraria. Ele, que havia sido vice Cidadão Samba em 1969, recebeu o título de Cidadão Samba em 1983.
Velha faleceu em 21 de abril de 1990. Sobre sua morte, quem nos conta é Bernard Nascimento, neto da lendária Vilma Nascimento, de quem Velha foi muito próximo: “Era casamento do tio Nézio Nascimento (filho de Natal, tio de Bernard), no palco do G. R. E. S. Tradição. Velha subiu ao palco para cantar na festa. Quando Velha acabou de cantar, foi muito ovacionado e ficou muito emocionado porque não esperava ser tão aclamado. Desceu do palco emocionadíssimo e pouco depois passou mal. Correram com ele para o hospital, mas ele já chegou morto”.
Assim saiu de cena Eusébio Nascimento, Velha da Portela, o Velha.

Agradecimento especial:
A Bernard Nascimento, pela ajuda inestimável e pela generosidade, que permitiram esta homenagem ao saudoso Velha.

Discografia:

(1972) Partido em 5 volume 1. Tapecar. LP
(1973) Velha no Partido em 5. Tapecar LP
(1975) Partido em 5 volume 2. Tapecar. LP
(1975) Fusão do Samba. Tamborim. LP
(1977) Partido em 5 volume 3. Tapecar. LP

 

Biografia:

https://dicionariompb.com.br/velha/bibliografia-critica.
ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo: Art Editora, 1977, p. 787.