Picolino
(Claudemiro José Rodrigues)

Claudemiro José Rodrigues, o Picolino, foi cantor, compositor, instrumentista, nascido no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1930. Ainda adolescente, começou a compor, aos 16 anos, para o Bloco Unidos da Tamarineira, de 1945 a 1946, no lendário bairro de Oswaldo Cruz. Sua ida para a Portela se deu em 1950, junto com Candeia (Antônio Candeia Filho) e Waldir 59 (Waldir de Souza). Os três foram membros ilustres da Ala dos Impossíveis, presidida pelo compositor Wanderley Francisco e chegaram a se apresentar, em 1955-1956, com a Orquestra Tabajara e a orquestra do Maestro Cipó no Clube High-Life, local onde se deram famosos bailes de carnaval, próximo ao Palácio do Catete.

A parceria com Candeia lhe rendeu a participação no grupo “Os Mensageiros do Samba da Portela” (com Candeia, Casquinha, Casemiro, Arlindo, Jorge do Violão e Davi do Pandeiro), no início dos anos 1960. O grupo gravou um LP homônimo pela gravadora Phillips e Picolino teve duas composições suas no repertório: “Lenço branco” e, em parceria com Casquinha, “Se eu conseguir”.

Após, em 1966, formou com o jovem Noca da Portela e Colombo o Trio ABC, que não registrou em álbum a parceria, mas participou de programas de TV de grande sucesso, como os de Chacrinha e Flávio Cavalcanti.





Trio ABC: Noca, ao centro; Picolino,
direita e Colombo, à esquerda.

No festival de músicas de carnaval, de 1967 (vencido pelo também portelense Zé Kéti, com “Amor de Carnaval”, que recebeu o Troféu Lamartine Babo e o prêmio de NCR$10.000,00), o Trio ABC classificou 2 entre as 36 músicas selecionadas dentre mais de 2000 canções de todo o Brasil. As 36 classificadas eram obrigatoriamente cantadas nos bailes oficiais do carnaval carioca. As músicas do grupo foram “É bom assim”, cantada por Gazolina” e “Portela querida” (Noca/ Picolino/ Colombo), que arrebatou o quinto lugar e o prêmio de NCR$1.000,00. Vale ressaltar que o samba foi cantado por Elza Soares, que levou o Troféu Carmem Miranda de melhor intérprete.

Das muitas páginas belas escritas por Picolino, em 1957 ele viu seu samba-enredo “Legados de D. João VI”, em parceria com Candeia e Waldir 59, ser cantado na avenida e a escola ser a campeã daquele ano, dando início ao tetracampeonato. Também compôs com Waldir 59 o samba-enredo de 1954, “Despertar de um gigante” ou, como registra a Enciclopédia da Música Brasileira, “Samba do gigante”.


No ano de 1969, Picolino classificou-se em primeiro lugar, com “Chorei, sofri, penei” (parceria com Noca da Portela), no Concurso de Carnaval do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. De Picolino, Eliseth Cardoso gravou “Atrás do meu caminho” e Elza Soares, como já lembrado, deu voz à “Portela querida”, até hoje sucessos inesquecíveis. Também com Noca e Colombo, entregou à voz de Eliana Pittman “A dor que vem do Brás” e, em parceria com Caipira, “Tô chegando, já cheguei”. Com inúmeras obras gravadas, com destaques para Martinho da Vila e Elza Soares, sua produção ainda está por ser revista e redescoberta pelas novas gerações.


Afora sua vida de cantor, compositor, intérprete e músico, que o levou a se apresentar em clubes, teatros, churrascarias e rodas de samba do Rio de Janeiro, sabe-se que trabalhou no Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis, por onde se aposentou.



Abaixo, um pequeno registro de suas composições mais famosas:

Picolino faleceu em 09 de setembro de 2003, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, por conta de problemas cardíacos. Lá, morava com sua esposa, o filho mais novo e a afilhada.

Bibliografia:

https://dicionariompb.com.br/velha/bibliografia-critica.
ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo: Art Editora, 1977, p. 787.