JOÃOZINHO DA PECADORA
Ele nasceu João de Souza Barros, e antes de se tornar o Joãozinho da
Pecadora era conhecido como Joãozinho do Pandeiro. A história dos nomes deste
genial partideiro da Portela encerra outra, com dramas, reviravoltas e cenas
tristes, mas também diz respeito a uma época de ouro do samba portelense, da
qual Joãozinho participou com brilho.
Joãozinho da Pecadora foi um antor e
compositor notável por suas atuações em rodas de partido alto. Seu nome, hoje
injustamente esquecido, faz parte da memória cultural do G.R.E.S. Portela. O
jornalista e colaborador da Portelamor, André Camargo, além de resgatar o nome
de batismo do compositor, que curiosamente não figurava nas mídias do samba e da
Portela, também nos informa que o sambista nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de
abril de 1933 e foi criado em Cordovil, subúrbio do Rio de Janeiro. Com o
resgate de seu registro na história da música portelense, repara-se, portanto,
uma injustiça histórica.
Segundo o Dicionário Cravo Albin, o pseudônimo “Da Pecadora” se
deve à composição “Pecadora”, canção de grande sucesso na década de 1960 e,
segundo várias fontes, feita em parceria com Jair do Cavaquinho. A obra foi
gravada por Elizeth Cardoso, no LP Elizete sobe o morro, da gravadora
Copacabana. A canção foi incluída naquele mesmo ano no primeiro LP do grupo A
Voz do Morro, composto por Jair do Cavaquinho, Zé Kéti, Oscar Bigode, José Cruz,
Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro e Elton Medeiros.
O LP se intitulava Roda de samba.
Maria Cristina Ramos Barros dos Santos, filha de Joãozinho, nos dá uma
versão diferente acerca da autoria da canção, em entrevista ao site Portelamor:
Ele ficou doente um tempo, por conta da separação de minha mãe. Foi quando ele fez a canção “Pecadora”. Foi num momento de tristeza. Por causa disso ele foi hospitalizado, ficou muito doente. Ele ficou alguns meses internado no Dr. Eiras.. Mas antes ele já tinha feito a “Pecadora”, no momento em que estava muito triste porque nós fomos morar com a minha mãe e ele não aceitava o fim do casamento, os filhos longe dele. E ele fez a “Pecadora” sozinho. Cantou o samba na quadra, três ou cinco vezes, como era antigamente. Naquela época os compositores não registravam suas obras. E quando ele voltou da internação a própria Portela trocou o nome dele para Joãozinho da Pecadora (ele era conhecido como Joãozinho do Pandeiro naquela época). A Elizeth, sabendo disso, e já para gravar “Pecadora”, quis conhecer ele. E mesmo assim usaram de má-fé. Não foi consertado este erro. Mas era o que ele mais queria, gravar. Estava feliz porque a “divina” Elizeth Cardoso, que era mãe de uma das pessoas que fizeram música com ele, o Paulo César Valdez, filho dela, o abraçou, ficaram amigos.
Polêmicas à parte, o fato é que a canção se tornou um dos maiores sucessos de Elizeth Cardoso e o apelido tomou o lugar do ex-Joãozinho do Pandeiro. Mas Joãozinho também foi compositor de muitas outras obras e participou de várias gravações. Em 1975, ao lado de Casquinha da Portela, Anézio, Velha e Candeia, ele participou do LP Partido em 5 volume 1; em 1977, ao lado de Luiz Grande, Anézio do Cavaco, Roque do Plá, Velha da Portela e Casquinha participou do disco Partido em 5 volume 3, interpretando “Perereca quando canta é sinal que vai chover” e “Carrapato do meu cachorro”. Teve ainda “Sururu no bate bufo”, parceria com Luiz Grande, gravada no LP Olé do partido alto volume 3 (1977). No ano seguinte, “Casório mal sucedido” foi interpretada pelo parceiro Luiz Grande, no disco Os bambas do partido alto, lançado pela gravadora Soma/Sigla.
Esta figura de destaque no partido alto e no samba teve sua curta vida dedicada à família e à Portela. Ainda segundo sua filha, ele chegou à escola quando tinha por volta de 22, 23 anos de idade, tendo sido bem acolhido por Natal, Casquinha, Anézio, Noca, Ary do Cavaco, dentre outros ilustres bambas da azul e branco.
Por conta de problemas cardíacos, Joãozinho não pôde continuar a frequentar a escola, o que talvez tenha motivado seu esquecimento no mundo do samba. Segundo Maria Cristina, Joãozinho compôs mais do que gravou, o que nos leva a suspeitar que seu baú de inéditas ainda esteja a ser explorado.
Era um pai amoroso e um homem bem humorado, nos revelou Maria Cristina. Sua grande ambição, segundo ela, era ver seus sambas cantados, por isso não se preocupou tanto com o registro e as gravações. Mesmo assim, o nome de Joãozinho da Pecadora figura na galeria de majestosos, pois, de acordo com Maria Cristina, além de suas composições e gravações, “Joãozinho da Pecadora amou a família e a escola do coração: a Portela! Por esse amor e por esse legado, é mais que justa a homenagem.
Joãozinho da Pecadora faleceu no Rio de Janeiro, em 08 de janeiro de 1986, ainda muito jovem, aos 52 anos.
Fontes
http://dicionariompb.com.br/manaceia/bibliografia-crítica
www.portelamor.com
