Ary da Liteira

 

Ary Cavalcante Cruz, ou simplesmente Ary da Liteira, é um dos grandes personagens da história portelense.

Talvez, para a maioria dos amantes do carnaval, inclusive dos portelenses, nem o nome com o qual ficou conhecido nas passarelas nem o de batismo soem familiares. Entretanto, aquele carioca nascido em 02 de setembro de 1933, provavelmente no bairro de Oswaldo Cruz, segundo informações da família, foi o Mestre-Sala do lendário tetracampeonato da Portela, nos anos de 1957, 1958, 1959 e 1960.

Ary da Liteira bailou por cinco anos com o mito Vilma Nascimento, até 1961, ano em que a Portela obteve o 3º lugar no desfile.
O desconhecimento de seu nome causa ainda mais espécie por conta de um tetracampeonato ser um feito raro no Carnaval carioca, somente alcançado uma vez pela Portela e pelo Império Serrano. Ser um Mestre-Sala tetracampeão é motivo suficiente para o nome Ary da Liteira figurar no panteão da memória portelense e do carnaval carioca. Uma busca no Google, no entanto, revela pouquíssima informação a seu respeito: uma ou outra menção a seu nome e à sua passagem pela Portela, no site da Escola e em alguns outros sítios dedicados à pesquisa do carnaval, além de citação em um ou outro trabalho acadêmico. Mesmo nesses lugares, não se procurou sequer resgatar seu nome de batismo e as datas de nascimento e falecimento. Via de regra, encontramos apenas uma imagem de Ary com Vilma Nascimento, em 1957, ano do primeiro dos quatro títulos consecutivos da Azul e Branco de Madureira, e que reproduzimos abaixo:

 

 Ary Cavalcante Cruz, seu Ary da Liteira, é uma personagem ilustre de uma história de esquecimentos. Sua vida foi curta, vindo a falecer em 21 de junho de 1968, antes de completar 35 anos, vítima de um homicídio. Ainda hoje, pouco se sabe de sua trajetória, de sua infância, juventude, até chegar, com apenas 24 anos incompletos, à gloria de um primeiro campeonato, em 1957. Nenhum Mestre-Sala realizou o feito de chegar a um tetracampeonato, e com 27 anos de idade incompletos.

Para quem ainda não ligou o sobrenome à família ilustre, Ary da Liteira pertence ao grande clã de sambistas de Madureira, que tem hoje em Arlindo Cruz, seu sobrinho, o maior expoente.
Sobre Ary da Liteira, Vilma Nascimento assim se pronunciou, em entrevista à Portelamor: “O Ary (Ary Cavalcante Cruz) foi logo o primeiro, então, foi uma experiência maravilhosa. A gente se entendia pelo olhar, a gente ria até de nossos erros. Nós éramos um casal muito bom, perfeito. Ele sabia cortejar a Porta-Bandeira e a Porta-Bandeira (eu) sabia obedecer ao Ary”.


Com a ajuda inestimável de Bernard Nascimento, neto de Vilma Nascimento, podemos hoje entregar ao público uma raríssima foto de rosto de seu Ary Cavalcante Cruz.

Figura essencial à memória e à história portelense, seu Ary da Liteira recebe da Portelamor as devidas homenagens e passa a figurar na galeria dos grandes Majestosos da Portela, por ter escrito uma das mais páginas belas de nossa agremiação. E para encerrar a homenagem, deixamos aos leitores duas imagens pouco conhecidas, captadas no site do Instituto Moreira Salles:

Agradecimento especial:
Ao Bernard Nascimento, nossa gratidão incondicional, pela inestimável colaboração.

Fontes:
Entrevista com Vilma Nascimento. Disponível em: www.portelamor.com.br.
INSTITUTO MOREIRA SALLES. https://acervos.ims.com.br/portals/#/search/Portela.