Caso Gilsinho: LGBTs defendem educa????o no lugar de demiss??o e sambista trans revela conversa com cantor

 

Por Redação SRzd

Desde a última quinta-feira (9), sambistas vem enchendo as redes sociais de críticas ao intérprete Gilsinho, que fez uma publicação preconceituosa sobre um casal trans. A justificativa do cantor, dada em entrevista exclusiva ao SRzd, acentuou ainda mais o debate e fez com muitos torcedores pedissem que Portela demitisse o artista. O SRzd procurou quem tem local de fala e ouviu três pessoas LGBT+, duas delas sambistas. Todas foram contrárias à demissão do cantor e levantaram a bandeira da educação como saída.

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A drag queen Samile Cunha, famosa por desfilar em várias escolas do Carnaval carioca como destaque, acredita que o erro de Gilsinho se deu por falta de percepção. Ela lembrou que o momento em que a sociedade se encontra, enclausurada dentro de casa, dificulta tentativas saudáveis de entendimento por ambas as partes.

“O Gilsinho também deve enfrentar muitos preconceitos, por conta da cor, por conta de ser gordo, por ser de origem humilde. Mas ele foi infeliz ao fazer um comentário, sem perceber a proporção que o estilhaço poderia reverberar no meio. Eu acho punir um extremo absurdo. É reverberar a fala do preconceito. Devemos abrir para o diálogo. A gente precisa de generosidade. Colocar o pé no chão e pensar um pouquinho”, disse Samile.

A advogada trans Maria Eduarda Aguiar também é contrária à demissão do intérprete da Portela. Assim como Samile, ela afirma que ensinar as pessoas é o melhor caminho e um rompimento de contrato não solucionaria o problema. Maria Eduarda trabalha voluntariamente na ONG Grupo Pela Vida, que fica na Avenida Rio Branco, 135 – Sala 709, Centro do Rio de Janeiro. A organização atende pessoas LGBT+ e auxilia no combate ao HIV.

A advogada, no entanto, lembrou que o casal trans citado por Gilsinho, Danna e Esteban, poderia acionar a justiça caso se sentisse lesado e o intérprete poderia ser obrigado a publicar uma retratação e realizar serviços voluntários de educação LGBT+. Na noite desta segunda (13), o cantor postou um vídeo onde pede desculpas publicamente pelo ocorrido.

“O casal pode fazer a queixa junto ao Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e entrar com uma ação contra o cantor, com base na Lei de Racismo (7716/89), que desde o ano passado engloba os crimes de homofobia e transfobia. No caso, acredito que a escola (Portela) não seria envolvida, já que a postagem foi feita no perfil pessoal do intérprete”, afirmou a advogada.

Gilsinho buscou conversar após o caso

A transexual Dandara Vital, que trabalhou na equipe de criação da Viradouro no último desfile, revelou que conversou com Gilsinho após o caso. Ela havia postado um story no Instagram marcando o intérprete e foi chamada pelo cantor para um bate-papo.

“O Gilsinho me procurou e foi muito humilde e aberto para me ouvir e aprender. Falou pra mim suas reais intenções ao fazer aquele post, que usou de palavras erradas e que precisa se atualizar. Eu acredito que ele sairá outro depois disso tudo. O dialogo é sempre válido para haver uma construção, uma melhora”, disse Dandara, que completou:  “Não adianta demitir e não dialogar, educar, não faz sentido”.

A sambista ressaltou que não é preciso ser LGBT+ para lutar contra a homofobia e a transfobia, assim como não precisa ser negro para lutar contra o racismo. Segundo ela, no samba, sendo um lugar que abraça todos, não pode haver preconceito.

“O Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo, e 80% das travestis e mulheres trans estão na prostituição. É importante dizer que tudo isso só tomou essa proporção porque um grupo de pessoas viu aquela publicação e denunciou. Quando é uma pessoa influente, como é o caso do Gilsinho, o comentário tem mais peso. Algumas pessoas pensam que é só um comentário, mas por trás desses comentários existem pessoas que sofrem tudo isso que citei”, afirmou.

Fonte.:  www.srzd.com