Recordando a Portelamor, 10 anos (1)

Paulo Oliveira

Em 20 de fevereiro de 2021, chegaremos aos 10 anos da Portelamor. Celebraremos a data em meio a uma pandemia mundial, sem uma grande festa, como queríamos, porque é momento de reflexão, de cuidado com o outro e de si. Queremos vacina. Mas não deixaremos de comemorar. Se 2020 nos paralisou, vimos projetos frustrados, homenagens adiadas, 2021 nos espera. Vamos caminhar, cabeças erguidas, como fazemos há uma década. Parece que foi ontem que Jorge Anselmo nos enviava mensagens sobre mudança, nos convocava a tomar decisões, a pensar em novos caminhos. Era momento de grande perigo para a Portela, quando o poço parecia não ter fundo. Foi aos sobressaltos que a Torcida Portelamor surgiu, no quartel-general da Rua Dois de Fevereiro, no Flamengo, onde traçamos um projeto fundado na amizade, na vontade de conhecer, descobrir e redescobrir nossa escola. Mas havia também revolta com o desastre da administração Nilo Figueiredo, inquietação com alguns caminhos tomados pelas torcidas. Firmamos e reafirmamos naquele apartamento do Jorge Anselmo nosso lema: “Pela Portela tudo. Nada da Portela”. E foi com a alegria infantil das crianças que levam suas brincadeiras à vera que nascia a Portelamor.

O parto foi fácil. A execução, nem tanto. Éramos poucos, porém, abnegados. Foram anos de muita bolas de gás enchidas à mão, bandeirinhas, bandeirolas, bandeiras imensas, faixas, ventarolas, somente possíveis porque regadas a muita cerveja, risadas, suor, samba e amor pela Portela. Tardes felizes e trabalhosas no apartamento do Jorge no Flamengo, depois no Maracanã; e, por fim, aqui em casa, no Bairro de Fátima, pertinho do Sambódromo. Tudo era emoção: as desastrosas apresentações da Portela; o providencial incêndio na Cidade do Samba, que eximiu a diretoria de mais um vexame; os maravilhosos sambas de 2012 e 2013, desperdiçados em desfiles esdrúxulos, tudo, para o bem ou para o mal, era um turbilhão de sentimentos. Naquele período, fizemos tremular uma faixa preta no Sambódromo, em sinal de protesto. Internamente, nos debruçamos na pesquisa sobre o passado da escola e na divulgação de tudo o que conseguíamos encontrar nas mídias impressa, digital e audiovisual. No terreno da política, apoiamos as feijoadas no campo do Falcon, embriões de uma aguardada renovação, que veio em 2013, com a vitória da chapa “Portela Verdade”, que tinha como Presidente Serginho Procópio, Vice-Presidente Marcos Falcon e Monarco como Presidente de Honra. Com a mudança, a Portela entraria no rumo desejado, forte e competitiva, coroada em 2017 com o tão aguardado campeonato. Bons combates, doces recordações.

Nos cinco anos de Torcida Portelamor, reverenciamos as raízes e as tradições da azul e branco: amor, respeito, dignidade, honestidade e luta “pela glória do samba no Brasil”. Nossos objetivos foram seguidos à risca: incentivar a Portela e o portelense nos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí; zelar pela memória da agremiação e por sua incomparável e bela história; motivar o ingresso de novos torcedores, divulgando a azul e branco, levando o nome da escola a todos aos quatro cantos, dentro e fora do Rio de Janeiro. Anos intensos, de muita coisa boa e bonita, mas também de perdas. Vimos partir nossa eterna e querida Dodô; assistimos, perplexos, o assassinato de nosso Presidente, Marcos Falcon, assassinado em 26 de setembro de 2016, sem ter vivido a realidade do sonho do 22º campeonato, pelo qual tanto batalhou. Como tudo na vida, um dia a mudança chegou também para nós.

No dia 02 de abril de 2016, a Portelamor deixou de ser Torcida e passou a ser um Grupo. A burocratização do Sambódromo em relação às torcidas e os perfis que elas assumiriam não cabiam mais em nossa proposta. Um a um, seguimos nossas vidas, pessoais e profissionais: a mudança de Jorge Anselmo para outra cidade, novos objetivos, enfim, rios que passam por nossas vidas e nos levam a outras paragens.

Portelamor escolheu seguir sua vocação de zelar pela história da Portela, por sua memória, divulgando sua produção cultural e artística, lutando para que a escola seja merecidamente reconhecida por sua contribuição ímpar à história do carnaval. Com isso, acreditamos que a luta pode se dar em outras formas de batalha, mas jamais poderíamos abrir mão de nosso lema: “Pela Portela tudo.  Nada da Portela”.

Somos filhos da Portela e nos orgulhamos de sua história. É essa memória e essa herança que nos impulsionam. Estamos felizes. O futuro nos aguarda. Salve a Portelamor!

Avante, Portela!!!